XXXVIII
Prece
Não julgueis e não serás julgado. Vem-me de súbito a sentença bíblica, como uma faca que se aloja ao peito e fica.
Calai, ó Pai, a fala imperfeita, para que não peque mais. Varrei as teias do pensamento, e suas tramas e veneno desfazei e derramai.
Soprai da alma as sombras e libertai os medos. Pois só o amor é bom e é capaz de transformar o vil em são e o fim em recomeço.
Mostrai-me as lições do silêncio, e quando a fala em mim se expresse, seja em louvor, e quando a mão esboce o gesto, seja o solidário.
Que a dor do irmão encontre em mim, ó Pai, amparo. Em devoção, mesmo refém da escuridão, propague o verso meu a luz e o bem. Humildemente, amém.











