LXXIII

Batimentos

Estar só é um exercício e tanto. Exige disciplina, reflexão, paciência de santo. As horas crescem como se fossem dias. É preciso parar e se ouvir. Sentir-se pulsar pelo tato, encostar a palma da mão abaixo do seio esquerdo e esperar.

A princípio a gente até prende a respiração para que o silêncio seja absoluto e só se ouça o ritmo surdo, quase um sussurro, um chiado do lado de dentro. Será preciso mergulhar tão fundo? Porque não seguir o fluxo do tempo? Pergunto ao coração indiferente a tudo que não seja fogo, desejo, pulsão.

Meu coração é cego, surdo, louco; só vê o amor e só dele é devoto. Doravante, serão meus versos todos, juramentos – escrevo - e cantarão somente o amor, e nele só se inspirarão seus batimentos.

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One Response to “LXXIII”

  1. cicero gomes Says:

    pouco brincar.
    acaricio os joelhos
    como se fossem o mundo.

    —sim,porque
    meu coraçao e fragil nas alegrias

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