LXXIV

Cochilar

 

De manhã, andei na praia com o mar sequinho. Dois homens lançavam o mangote em busca de peixes. Fiz isso na adolescência, com os amigos, escrevo. As lembranças são minhas, só minhas, e a ninguém interessam, digo para mim mesma, sentada na varanda de frente para o mar. Hoje, faz calor, muito calor, mas no mar tem vento. Uma brisa quase morna que chega em lufadas e meio que ameniza a quentura, embora não a espante totalmente.

Passa o ônibus na porta de casa e lembro-me dos tempos do colegial, uma adolescência toda brincadeira, toda sereia. A praia faz isso com a criança, encanta-a com suas ondas, suas jangadas, seus castelos de areia. Gostava de fazer castelos. Quase sinto a textura da areia molhada nas mãos. De areia, água salgada e palito de picolé, era possível construir pontes, torres e outros palcos de aventuras, divago.

Vejo meu sobrinho na piscina e lhe faço um aceno. Nadar é tão bom nessa água quase morna. Fecho os olhos e imagino o prazer do mergulho nessa hora, já com o sol quente e alto. Toca o telefone e como que acordo. Faz um calor abafado. Olho para o céu em busca de nuvens, nada indica chuva, por enquanto. Recosto o corpo no sofá e relaxo. Hoje é dia de aquietar-se, de cochilar na sombra, escrevo, nesse ventinho que vem da Ponta do Cabo Branco, bom mesmo é dormir acordado.

 

 

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