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Casa de Lala
O cerrado na Serra dos Pirineus é um jardim perto do céu, com suas flores e capins alados. É uma paisagem encantada e agradeço a Deus por poder vê-la quase virgem, pelo caminho de Betel. Será que Betel é um vilarejo? Pergunto-me, ao mirar a aquarela de luz cristalina.
Vou visitar Lala, em sua casa no alto dos Pirineus. Durante o trajeto, vejo um gavião, duas seriemas e um bando de pica-paus. Seu pescoço é amarelo-ouro e é preta sua crina, descrevo o dorso do pássaro de bico fino. É tudo tão mítico no mundo natural; é como se a vida preservasse a vida, e a vida é um rio seguindo seu curso ancestral.
Um cão rajado me olha fixo pela porta do quarto, virado para o Rio das Almas. Daqui da cama onde me aconchego, posso escutar a água escorrer pelas rochas centenárias por onde antigamente passava a Estrada Real. O Rio das Almas fez parte do Ciclo do Ouro nos primórdios do Brasil, e ainda hoje se vê marcas desse tempo nas ruínas de seus muros, nos buracos em suas margens, repovoados por avencas, bambus e árvores de troncos úmidos, cobertos pelo musgo.
O Rio das Almas canta seu canto matinal e por onde encontra as rochas, forma minúsculas cachoeiras, pequenas represas, quedinhas d´água, levando restos de folhas secas, peixinhos e pedaços de pau. De repente, ouço os galhos balançarem no alto das árvores. Meu coração dispara, tem bicho no mato fazendo algazarra. Será um macaco-prego? Tomo o rumo de onde ouvi o barulho. Procuro entre os galhos que se entrelaçam uns nos outros, mas não vejo nada. São os entes da mata dando-me as boas vindas, penso.
Fecho os olhos e escuto o murmúrio do Rio das Almas em sua eterna jornada. A vida, como esse rio, tem sua própria jornada; não importa o que aconteça, ela segue seu caminho. Viver é seguir o impulso do que dita o coração, escrevo. Não importa os obstáculos, viver é seguir o curso, como as águas desse rio seguem sua inclinação.
* O Rio das Almas banha o estado de Goiás. Sua nascente é no limite do Parque Estadual da Serra dos Pireneus, no município de Pirenópolis. Segue seu curso no sentido sul-norte e compõe a bacia do Tocantins. Corta as cidades de Pirenópolis, Jaraguá, Ceres e Rialma.












fevereiro 25th, 2009 at 21:44
Sabe de uma coisa? Ler os teus escritos virou obrigatório para mim. Onde eu andava que não te lia antes? A casa de Alaíde é um texto doce. Mas me encantou muito o “Mensagem numa Garrafa”. E também Batmakumba e Surrealismo. Quero mais! Abreijos, Ana Maria
fevereiro 25th, 2009 at 22:58
bonito esse seu espaço e muito interessante a porposta. vou voltar mais vezes para sacar um pouco mais do seu trabalho. só para lembrar: a gente se conheceu uma vez na casa do niki, lmebra? bjos
fevereiro 25th, 2009 at 22:59
se quiser dá um pulo lá no breviário, é um coletivo de escritores do qual faço parte. bjos
fevereiro 26th, 2009 at 8:32
Bila, irmã, sua visita encantada, encheu de poesia a Casa de Lala.Que bela escrita para esse lugar que tem o fluxo da vida a nos embalar para além …Vc é uma fada!