Archive for março, 2009

CXXXIV

 
Sobre o abstrato (fragmento)
Metáfora é associar idéias afins, escrevo. Não, é mais do que isso, é irmanar conceitos, anseios, desejos dentro de mim. Metáfora é véu, revela escondendo. É pensar e calar, e o silêncio gritar mais alto. “Eu acho tão bonito isso de ser abstrato, baby, a beleza é mesmo tão fugaz. É uma [...]

terça-feira, março 31st, 2009

CXXXIII

Eu confesso

Hoje,
em homenagem a você,
meu estimado leitor,
vou traduzir em um verso,
melhor,
em uma palavra
o nome da minha dor:
amor.

segunda-feira, março 30th, 2009

CXXXII

 
Sobre a sede
Escrevo sem pensar no que se insere à folha intacta, como se secara as tintas das palavras antes de o olho entendê-las. Escrevo para preencher o nada com enigmas e parábolas; e depois perdê-las. Escrevo, enfim, para bebê-las na fonte da alma onde nascem, e escrevo para decifrá-las em suas tantas nuanças quantas são as [...]

domingo, março 29th, 2009

CXXXI

 
Dona Zezé
 
Escrever é a arte de traduzir a alma, penso ao preparar-me para a solenidade do momento. Ando de um lado ao outro sem achar o lugar certo onde caiba o medo de perder a fala. “As vezes, o silêncio fala mais que mil palavrras”, repito o velho e sábio pensamento.
Penso nela, aos 94 anos. Tão velha [...]

sábado, março 28th, 2009

CXXX

Cento e vinte dias
Por onde andei? Por onde andei nessa viagem já nem sei. já se perdeu pela passagem, como a paisagem multiverde que ora vejo e quando penso, já passou.
Por onde andei? Por onde andei, pergunto eu ao firmamento, e a chuva cai como um refrão e logo estia. E um vento fresco desconstrói o [...]

sexta-feira, março 27th, 2009

CXXIX

 
Sobre amar (fragmento)
“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, escrevo o ditado sem saber o que vai ser do texto. E se eu não tiver o que dizer? Pergunto-me, com as teclas ágeis sob os dedos incapazes de falar. A caneta e o papel, imóveis na bancada sob a tela, me levam [...]

quinta-feira, março 26th, 2009

CXXVIII

 
Dona Neli II
Esse cão é sensitivo. Não há possibilidade de ele não intuir uma presença. “De ele”, estranha construção, resistente ao tempo e às gramáticas, penso eu a divagar durante a sesta. Siesta significa sonhar, meio dormindo acordado, um pit stop no tempo antes de continuar. Pois bem, é nesse intervalo entre o estar e [...]

quarta-feira, março 25th, 2009

CXXVII

 
Recado
Cinco minutos para decidir me jogar de uma jangada em alto mar, nadar contra a correnteza, negar o óbvio, negar os fatos, negar três vezes, negar, negar, negar; ou entregar o jogo e confessar ser o amor a razão do desatino em meu peito, e dizê-lo é o destino desses versos na noite a te [...]

terça-feira, março 24th, 2009