CXXIX

 

Sobre amar (fragmento)

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, escrevo o ditado sem saber o que vai ser do texto. E se eu não tiver o que dizer? Pergunto-me, com as teclas ágeis sob os dedos incapazes de falar. A caneta e o papel, imóveis na bancada sob a tela, me levam ao silêncio. Meu coração é um barril de pólvora prestes a explodir. Mas tem de ser aceso, penso e tranqüilizo-me. Não sou suicida, joguei todos os fósforos no mar e com ele as lágrimas salgadas derramadas pela vida. Sou sobrevivente do naufrágio, e ainda adoro navegar. Vou içar velas, alçar vôos, viajar no espaço infinito. Vou correr estrelas a colher palavras para te ofertar, meu prezado amigo. Vou dizer que o amor é o bem maior e saber vivê-lo sem custo ou medida é  se aventurar, como as águas todas correm para o mar.

Comentarios Recentes

Deixe uma resposta