CLXII

 

Sobre o abandono

Debaixo da ponte, duas mulheres e uma menina tomam sol para passar o frio.  Sua casa é o relento, penso, ao olhar de relance a lona preta a lhes servir de leito. Lá fora, faz um frio seco e um esplêndido sol brilha no céu sem uma nuvem do planalto. Do outro lado da ponte, a luz ilumina os jardins assépticos das mansões. Quem decidiu a sorte dos que estão de um e do outro lado dos portões? Ao cancro da conformação, prefiro o sangramento, escrevo, e que meu verbo hemorrágico destile o veneno da dor da deserção no meu e no teu coração.

Comentarios Recentes

2 Responses to “CLXII”

  1. Ailton Ramalho Says:

    Penso que independentemente do lado em que se esteja, é importante perguntar não quem decidiu a colocaçãom mas, e principalmente a condição mental de cada um. Nem sempre é mais feliz e gente quem está do lado de dentro das mansões…

  2. Ailton Ramalho Says:

    A felicidade está onde nós a pomos mas nós nunca nos pomos onde ela está.(desconheço o autor da frase).

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