Archive for maio, 2009

Crônicas de Brasília I

Começou a esfriar, mas ainda há nuvens no céu de Brasília. Daqui a pouco, o olhar navegará por um mar de céu a azulejar, e então se perderá na vastidão do espaço infinito, escrevo, antecipando o prazer da estação seca.
Em minha memória vem, não sei por que razão, a imagem do Minhocão da UnB, com [...]

terça-feira, maio 26th, 2009

CLXXXIX

 
An English Sonet
Foi William Shakespeare – o gênio da tragédia moderna, autor de obras primas da literatura universal como Hamlet, Romeu e Julieta e  Othelo - quem imortalizou essa forma de soneto, pensei, assim que terminei de compor meu primeiro poema em outra língua, o inglês, idioma que – confesso - sequer domino bem.
O soneto, da forma [...]

segunda-feira, maio 25th, 2009

CLXXXVIII

 
Arco e flecha
Um segundo para lançar a seta
na medida exata, na dose precisa.
Um segundo para saber que o alvo
vale cada sopro, cada tentativa.
Um segundo para entender que a flecha,
quando atinge o alvo, reinventa a vida.
E é quando o amor enfim se manifesta
e a dor estanca, e a alma cicatriza.

domingo, maio 24th, 2009

CLXXXVII

 
Presença de Vinicius
Porque hoje é sábado – soprou-me Vinicius,
Do alto da morada dos poetas,
Na beira-mar, em praia de floresta,
Como era a Mata Atlântica, no princípio,
Quando uma nau perdida, em precipício,
O Novo Mundo descobriu, em festa,
E um português, seu primeiro poeta,
Maravilhado, gritou: “terra a vista”.
Era o Brasil, contou-me o trovador,
E Pero Vaz de Caminha, seu autor,
Ao escrever [...]

sábado, maio 23rd, 2009

CLXXXVI

 
Sobre milagres II (fragmento)
Seis horas e quatro minutos na L-4. A mesma arara improvável sobrevoa o carro em frente ao Iate Clube. Se eu contar, ninguém acredita, penso, ao ver a luz crepuscular. Entre o dia e a noite, o tempo parece suspenso, há uma luz se esgarçando e tênue fumaça cobre de névoa o [...]

sexta-feira, maio 22nd, 2009

CLXXXV

 
Sobre a solidão
Sabe o que é sentir-se estranho entre a multidão?
Falo de um estádio de futebol lotado.
Ou do carnaval, em plena terça-feira gorda.
Tem um filme, chamado A Rede, que fala exatamente dessa angústia.
É como querer gritar e a voz paralisar-se na garganta.
Ou então falar ao vento sem que ninguém ouça.
Um dia, na Rua 25 de [...]

quinta-feira, maio 21st, 2009

CLXXXIV

 
Crônicas de Brasília VII
Em outubro, o OiPoema vai ao norte de Minas Gerais divulgar a primeira coleção do grupo, com um livro inédito de cada um de seus cinco componentes, penso, ao receber o convite do poeta Aroldo Pereira, de Montes Claros, para participar do Psiu Poético, o festival de poesia mais antigo do Brasil, em [...]

quarta-feira, maio 20th, 2009

CLXXXIII

Auto-análise
Minha perna está tomada de uma alergia crônica que, há 20 anos, me acompanha. Sua causa é obscura como a dor na alma ou a própria vida, que estica a corda a nossa frente e nos faz seguir-lhe os passos.
A doença aparece em nosso histórico como um invasor que se apossa de um território para [...]

terça-feira, maio 19th, 2009