Crônica de Brasília XLIII
E é ao amor, a sua força curativa, que quero, hoje, às vésperas do cinqüentenário de Brasília, render uma homenagem a todos os poetas que cantaram e cantam o amor, do alto dos mais de mil metros desse Planalto Central do Brasil.
No rádio, Elis Regina canta a música “Aos Nossos Filhos”, de Ivan Lins, numa versão de tirar o fôlego. Lá fora, ladra o cão bebê que brinca solto no jardim e o sol da manhã faz brilhar o verde das plantas e nossos olhos ante a visão de tanta beleza.
Bendito seja Deus que nos criou e a natureza, escrevo, enquanto assisto às pequenas nuvens dançarem no vasto azul do céu sobre mim. Os pássaros cantam, dão vôos rasantes sobre minha cabeça, daqui de onde os ouço e vejo recostada à rede de dormir.
De repente, vem-me à mente o novo livro do poeta Reynaldo Jardim: Sangradas Escrituras. O livro foi lançado no Bar Brahma, na Comercial da 201 Sul. Com suas impressionantes mil e duzentas páginas, a antologia reúne poemas inéditos e antigos da vasta obra desse artista múltiplo, que também fez história no jornalismo brasileiro.
Reynaldo Jardim foi o criador, nos anos 50, do suplemento dominical do Jornal do Brasil, Caderno de Domingo, e do Caderno B. O SDJB tornou-se o mais importante suplemento literário de poesia concreta do Brasil. Outra façanha impressionante de Reynaldo foi ter mantido uma coluna diária de poesia por dois anos - de 2004 a 2006 - no Caderno B daquele jornal.
No dia do lançamento de Sangradas Escrituras, encontrei também o poeta Wilson Pereira, autor da premiada antologia Pedra de Minas, que reúne poemas de vários de seus livros. Mineiro de nascimento, Pereira chegou a Brasília nos anos 70 e há poucos meses, comemorou seus 60 anos com um recital no Feitiço Mineiro, do qual tive a honra de participar.
Aliás, tanto o Feitiço Mineiro quanto o Bar Brahma são de Jorge Ferreira, outro mineiro chegado a Brasília nos anos 80, que tem mais quatro casas noturnas na cidade e vem fazendo a história de Brasília no ramo dos bares e da gastronomia. Seu maior feito, com certeza, é o Feitiço Mineiro que, há 20 anos, abre suas portas para a boa música brasileira, do samba ao chorinho, do rock ao jazz e ao baião. Em 2009, o Feitiço Mineiro comemorou seus vinte anos de existência com uma agenda de shows que reuniu importantes nomes da música, especialmente mineira, carioca e brasiliense. Mas isso já é uma história para outra crônica. Quem viver, lerá.











