'Crônicas de Brasília'

XLVIII

Sobre seduzir
 
A tarde é cinza,
o céu é pardo,
a seca engole
o azul do Cerrado;
deito-me, lânguida,
no conforto
do meu quarto
e cismo, e ardo;
onde me levará
a vida, qual o
próximo passo?
Estou pronta
a entrar no jogo,
a amar de novo,
a deixar-me
seduzir, afinal
o amor está
em mim e
posso vivê-lo [...]

segunda-feira, setembro 6th, 2010

XLVII

 
Sobre anjos
 
Angélica é uma flor
branca, quase nuvem,
quase rósea, cheirosa
e perfumada. Angélica
é também a poesia “Da
Casta de Jó” que orvalhou
meus olhos na manhã
azul e irmanou-me a ti,
poeta Angélica, na doce
agonia se ser fêmea
e mãe, num mundo
talhado por sombra
e luz. Angélica é a cor
do buquê que traduz
os enlaces do amor
em rituais no México,
Índia e [...]

sábado, setembro 4th, 2010

XLVI

Sobre lobos
“Eu sou o lobo mau, lobo mau, lobo mau,
Que pega as criancinhas pra fazer mingau…”
Cantarolo a música da fábula de Chapeuzinho Vermelho e não contenho o riso. Conheci um lobo assim: selvagem, solitário e ao mesmo tempo, sábio, intuitivo, inteligente, como o animal símbolo do Xamanismo.
Como não sou xamã, afastei-me estrategicamente do bicho, mas [...]

quinta-feira, setembro 2nd, 2010

XLV

 
Sobre canções
 
“Eu vivo a vida,
a vida inteira,
a descobrir o
que é o amor,
leve pulsar do
sol a me queimar”.
 
O amor em mim
é essa fogueira,
incendiar-se
e incendiar,
como um estado
de sonhar,
como uma nau
singrando as ondas,
ora tranqüila,
ora perdida
em mar revolto
a navegar.
 
“Não penso ter
a vida inteira
para guiar meu
coração, eu sei
que a vida é
passageira, mas
o amor que eu
tenho, não.”
 
O amor em mim
é [...]

terça-feira, agosto 31st, 2010

XLV

 
O tempo
de viver
é esse,
doce, suave,
leve como
a face de
um menino.
 
Ouço-o no
canto dos
pássaros;
sinto-o no
sopro do
vento sobre
a pele;
vejo-o na
luz de
mais um
dia lindo.
 
Tudo, enfim,
fulge e
enternece,
como se
a vida
acordasse
hoje e a
cada instante,
tecendo-se,
reinventando-se,
compondo
as notas
de um hino.
 
O tempo de
viver é esse,
doce, suave,
leve como
a face de
um menino.
 
Vou ao seu
encalço com
a alma em
prece, sigo
seus passos
com os olhos
ávidos, [...]

domingo, agosto 29th, 2010

XLIV

 
Lenda urbana
 
Amanhã, Marte poderá ser visto a olho nu do tamanho da lua e haverá duas luas no céu.
Lenda urbana, diz o astrônomo Wailã de Souza Cruz, da Fundação Planetário da Gávea. A história roda o mundo desde 2003, quando houve, de fato, o ponto de máxima aproximação de Marte em relação a Terra.
Naquele ano, [...]

sábado, agosto 28th, 2010

XLIII

 
Jameson
 
Vou tomar
um gole
e olhar
a lua
no céu.
Então,
vou fazer
um poema
bêbado,
enluarado,
inebriante.
Um poema-eu.
Depois, vou
degustá-lo
on the rocks
e convidar-te
a bebê-lo
até a última
dose.
Só para
envenenar-te,
só para
embriagar-te
do gosto
dos versos
meus.

quarta-feira, agosto 25th, 2010

XLII

 
Essa noite ruiva,
Essa lua cheia,
Esse cão que uiva
E a alma incendeia,
 
Como uma esperança
De que o dia venha
E com ele, a chama
Do amor, a centelha
 
De uma nova trama
Tecida nas veias
Do tempo que pulsa
 
E já se dissolve,
Como dunas móveis,
Como grãos de areia.

terça-feira, agosto 24th, 2010